Relação peso/potência dos tratores

Tiago Rodrigo Francetto, Ravel Feron Dagios, Alexandre Russini, Renan Prade

Um trator agrícola deve ser versátil em relação a sua massa, adequando-se a tarefas que necessitam de grande força de tração, enquanto que para outras a necessidade é menor. Desta forma, seu desempenho operacional está diretamente relacionado a esta variável, logo a lastragem adequada torna-se vantajosa ao produtor, pois a mesma pode diminuir o consumo de combustível e reduzir os problemas de compactação do solo. Em caso de excesso, poderá aumentar o consumo de combustível, por necessidade de carregar uma massa desnecessária, causando redução da vida útil da máquina, pelo desgaste de peças, além da redução da eficiência operacional, consequentemente a capacidade operacional.

Em algumas situações de campo, poderá ocorrer vibrações do tipo galope denominado “Power hop”, devido, entre muitos fatores, a má distribuição de lastro no trator. Este galope poderá originar um desgaste prematuro da máquina, além de reduzir o conforto, segurança e a eficiência do operador. A relação peso/potência também deve suprir a necessidade de tração sem que ocorra um sobrecarregamento do sistema de transmissão.

Portanto, a relação entre o peso e a potência é uma importante ferramenta para definir as tarefas ideais que a máquina possa vir a desempenhar, realizando-a de forma mais eficaz e econômica. Segundo Shlosser et al. (2005), para tarefas pesadas, onde a exigência de força de tração é maior, esta relação permanece em torno de 60 kg/kW e 35 kg/kW para tarefas mais leves.

Nesse contexto, avaliou-se a relação dos tratores agrícolas nacionais de rodas com tração dianteira auxiliar, segundo as suas classes de potência. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) classifica os tratores de classe I com potência de até 36,9 kW, classe II de 37 a 73,9 kW, classe III de 74 a 146,9 kW e classe IV com potência superior a 147 kW.

Buscaram-se os valores de peso e potência dos modelos atuais das linhas de fabricação de nove marcas de tratores agrícolas com tração dianteira auxiliar (TDA) de rodas do Brasil, totalizando 145 modelos. Estes foram divididos em lastrados e não lastrados, devido à ausência de padronização das informações disponibilizadas pelos fabricantes.
   
Os resultados demonstram a distribuição do número de modelos nas classes de potência. Pode-se visualizar que o maior número de tratores estudados está distribuídos nas classes II e III, para lastrados e não lastrados.

Figura 1 - Número de tratores por classes

A tabela 1 apresenta os valores médios, mínimos e máximos da relação peso/potência dos tratores lastrados, enquanto que a tabela 2 apresenta estes mesmos valores para tratores sem lastro.

TABELA 1 - Valores médios, mínimos e máximos da relação peso/potência para tratores lastrados
Classes
Médias (kg/kW)
Mínimo (kg/kW)
Máximo (kg/kW)
I
67,83
53,73
76,17
II
68,18
43,11
94,10
III
67,66
47,15
82,76
IV
60,97
52,82
74,84

TABELA 2 - Valores médios, mínimos e máximos da relação peso/potência para tratores sem lastros
Classes
Médias (kg/kW)
Mínimo (kg/kW)
Máximo (kg/kW)
I
67,61
41,71
85,15
II
50,65
37,53
65,57
III
55,73
42,07
70,31
IV
60,36
48,91
73,23


Constatou-se uma diferença expressiva, entre os valores mínimos e máximos em todas as classes. Este fato demonstra que tratores da mesma classe são dimensionados para realizar tarefas distintas, por apresentarem relações desiguais, necessitando de adaptações para determinados trabalhos. Observa-se que em todas as classes, os maiores valores das médias da relação entre o peso e a potência estão presentes nos tratores lastrados, com maior significância para os tratores englobados nas classes II e III. Na primeira os valores entre lastrados e sem lastro obtiveram uma diferença de 134,61%, enquanto que para a segunda permaneceu em 121,40%. Ressalta-se ao fato de que nas classes I e IV essas diferenças foram sutis, de modo que para a primeira foi de 100,32% e de 101,01% para a segunda.
     
Cabe ressaltar, o decréscimo entre as médias da relação peso/potência, sendo que tal fato evidencia que os tratores de maior potência são mais dependentes de lastro do que os tratores de menor potência, em virtude da forma construtiva de ambos. Portanto, tratores de maior potência necessitam de um maior ajuste da lastragem para melhor força de tração na tarefa executada.

Os tratores agrícolas nacionais apresentam uma diminuição na relação peso/potência com acréscimo da potência. Da mesma forma, verifica-se essa situação com o aumento das classes.

Portanto, o conhecimento da relação peso/potência é de fundamental importância, quando se deseja obter alto rendimento dos tratores no campo, aliado principalmente ao consumo de combustível, que representa um valor bastante significativo no custo final de produção, em uma agricultura cada vez mais competitiva e com retorno muitas vezes incerto.

Referência
Schlosser, J. F. et al. Análise comparativa do peso específico dos tratores agrícolas fabricados no Brasil e seus efeitos sobre a seleção e uso. Ciência Rural, Santa Maria, v. 35, n. 1, fev. 2005. 
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Sobre Francetto

É Eng. Agrícola e mestre em Eng. Agrícola. Atualmente é doutorando em Eng. Agrícola do Programa de Pós-Graduação em Eng. Agrícola da Universidade Federal de Santa Maria e membro do Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Máquinas Agrícolas.
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1 comentários:

  1. Acredito que Vocês se equivocaram, pois o peso médio por CV dos tratores lastreados no Brasil é em torno de 50 a 60 kg/cv ( em relação a potência do motor).

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